Teoriza-amor era uma criatura teórica, que na verdade nunca existiu
na prática.
O seu quase-corpito era cheio de fórmulas, mas sem nenhuma forma e o seu quase-coração era um livro aberto de teorias.
O seu quase-corpito era cheio de fórmulas, mas sem nenhuma forma e o seu quase-coração era um livro aberto de teorias.
Teoriza-amor era assim… uma criatura teoricamente cheia de
amor.
Sempre que alguém se encantava com as suas bem definidas e arredondadas
fórmulas, Teoriza-amor reformulava tudo outra vez… Mesmo abraços e carinhos eram
exaustivamente equacionados, até serem aniquilados… e cada tentativa de beijo acabava
por ficar presa nas suas teias teóricas.
O que Teoriza-amor realmente mais gostava de fazer era teorizar
o amor dos outros. Ela teorizou 100 mil relações contadas.
Teoriza-amor era assim… teoricamente muito experiente, mas na
prática ausente.
Mesmo assim, todas as criaturinhas dos arredores punham-se
em filinha, para se poderem teoricamente aconselhar com Teoriza-amor.
Queriam saber praticamente tudo: como encantar o seu amado, como afastar o seu amado, como ter mais do que um amado, como ser a única do seu amado, como ter uma família com o seu amado, como viver com o mau-humor do seu amado…
Queriam saber praticamente tudo: como encantar o seu amado, como afastar o seu amado, como ter mais do que um amado, como ser a única do seu amado, como ter uma família com o seu amado, como viver com o mau-humor do seu amado…
Teoriza-amor sabia todas as respostas, porque já tinha
teorizado 100 mil relações contadas. As respostas até entravam pelo coração,
mas saíam praticamente todas pelo ouvido. As criaturinhas percebiam, mas não se
satisfaziam.
Teoriza-amor era assim...
Na teoria muito amor, na prática amador!
Mali Seltzer
Gaia, 4 de Fevereiro de
2012