Fogo

          Era uma vez um pequeno monstro flamejante que vivia numa casa de pedra, no cimo de uma montanha.

          Ao amanhecer quando o sol queimava a pele, o monstrinho pé ante pé, quase rastejando, saía da sua casinha cinzenta. Em volta a paisagem negra, todas as árvores, todas as flores, todos os bichos da floresta haviam morrido queimados pelo seu rasto. A sua própria sombra emanava calor.

          O monstrinho flamejante era tão quente por fora, como era por dentro. O seu coração ardente ansiava bater forte de amor! Mas nada resistia à sua chama destruidora. 

          Nada resistia à paixão das suas labaredas incendiárias. E todos os dias o monstrinho seguia pelo caminho, ardido, queimado, desfeito, até ao ponto mais alto. Olhava a cidade lá em baixo, os prédios, os carros, as casas, os jardins, as pessoas e pensava como seria se ele desatasse a correr, desse um enorme salto e de uma só vez pegasse fogo ao Mundo.

          Tanta Paixão, Mata o Coração!


Marta Lima

Porto, Maio de 2007