sexta-feira, 1 de julho de 2011

Bala

 
Era uma vez um bichinho redondo, que apaixonado, desceu ruas íngremes e calçadas sujas, rolou milhares de escadas, enrolou-se em infinitos grãos de areia, percorrendo quilómetros para chegar junto da sua amada.
Quanto mais rebolava, mais estreitava, até que a encontrou,redondinha e sentadita à beira-mar, era ela, aquela que o faz vibrar com as suas curvas cintilantes.
Quando ela o viu, não o reconheceu.
E ele disse:
- Sou eu! O bichinho redondo, que se fosse chumbo furava o teu coração com amor.
Ela olhou-o, dizendo:
- Porque não me disseste onde estavas? Ía ao teu encontro e no meio-do-caminho, seríamos mais iguais. Tanto tempo te esperei! E tu acabaste por transformar-te num bichinho afunilado, quase num seixo, como estes da praia. Agora, olhando bem para ti, agora que já não te conheço, pareces uma bala que fura o meu coração para me fazer morrer.
Porque não me disseste onde estavas?
O amor pede ânsia e não distância.

Porto, Maio de 2007

Marta Lima