sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mala de Ferramentas

Era uma vez uma família que vívia dentro de uma mala pequenina.
O pai Parafuso, era um homem com tino, sempre bem enfarpelado e de bigode enrolado.
A mãe Porca, era uma desnaturada, rolava descalça pela casa, sempre aos guinchos e despenteada, dava coices nas panelas e cabeçadas nas portas, quase até ficar, com a cabeça Achatada...hmm... Chata...hmm Tacha era o nome da filha mais velha, era baixinha a miúda! pica aqui e acoli, onde fosse mais mólinho, era na pele... na pele da velha mala, que era casa.
Naquele dia quente de verão, Tacha saltava sem parar, no mesmo lugar.
-Inspira!...e... pica..(fiiuuuu) inspira!...e pica (fiuuu) inspira, inspira, inspira! (cada vez mais rápido- fiu fiu fiu)INSPIRA! (PLOF) oh não! Inútil! Deficiente!
O irmão estava esparramado no chão, era uma espécie de massa branca consistente, era bébé, mesmo recente. Com o calor ficava maleável e elástico, por isso costumavam brincar ao jogo do inspira-pra-rebentar, mas desta vez Tacha fora longe demais.
O Massinha inspirou com tanta força, que no momento que Tacha lhe saltou em cima, ele explodiu.. Tacha afastou-se do irmão proferindo mil insultos e deixando o desgraçado, tonto e esmigalhado, aos pedacinhos colado às paredes da pequena mala.
A mãe Porca veio a rolar como um foguete agarrada às suas melenas desgrenhadas..
-Oh não! Ó meu massinha! Meu filho perfeito!
O filho bébé, tão auto-suficiente, resistente e impermeável que aderia a quaqluer material... tão branquinho e moldável, tão firme ao mundo e joguete nas mãos quentes de alguém...
Massinha não reagia! Estava partido em mil pedaços espalhado por toda a parte, pelas paredes, pelo tecto pelo chão.
Há malas que guardam desgraças, tragédias de famílias estranhas, que o mundo nunca vai conhecer!


Porto, 16 de Setembro de 2008

Marta Lima