Era uma vez Gracinha, uma pequena criaturinha que estava em estado de graça permanente. Ela era leve, delicada e muito graciosa, no seu rosto singelo repousava um sorrisinho fácil e feliz e no seu coração habitava uma tremenda força para a sua única missão: dissipar toda a escuridão. Bastava que ela sorrisse, para deixar de haver chatice. Gracinha conseguia com o seu sorrisinho fácil e feliz levantar o ânimo das criaturinhas mais taciturnas e suavizar as garras das mais raivosas. Claro que também lhe apareciam criaturinhas mais complicadas e arrasadoras, mas mesmo com essas Gracinha não se deixava desencorajar! Continuava sempre muito leve e delicada, colocando sempre uma luz indirecta no problema em questão: ela arranjava cães-guia para os corações mais cegos, dava o seu ombro amigo aos braços-de-ferro mais resistentes e fazia dançar os pés de chumbo mais pesados. Era assim, com gentil graciosidade, que as criaturinhas mais descontentes acabavam por se transformar nas mais reluzentes… Gracinha era feliz e espalhava pelo mundo toda a sua grande devoção: “Com tanta graça, tanta graça não há sombra que seja uma ameaça…!”
Mali Seltzer