sexta-feira, 17 de junho de 2011

Brilhozinho nos olhos

Era uma vez uma criatura Brilhante, complexa e bem desenhada, que morava no cimo de uma torre reluzente. Era um desses seres carismáticos e sorridentes, que por onde passam, espalham no ar um pó mágico que nos deixa tontos, mas felizes.
No alto da sua torre, construída ao pormenor e com as mais finas e raras matérias a criaturazinha Brilhante, engendra mil planos e estratégias, imagina um sem número de personagens, acções e sentimentos. Escreve, descreve, desenha, cria todo um mundo novo, um mundo dentro do outro.

À volta de uma criatura Brilhante, tudo se dispõe consoante a ordem que ela própria imagina, tudo a persegue e procura, tudo a ela se dirige, tudo a atinge, tudo dela provém.

Certo dia, sentado na sua poltrona, junto da maior janela do piso mais alto da sua torre, a criatura Brilhante recebe a visita de uma pequena Estrela meio apagada. Os dois sentam-se a conversar com sorrisos e gestos, com olhos e energia. Aos poucos a pequena Estrela apagada vai recebendo o reflexo luminoso, que vindo do sol, passa dos olhos da criatura Brilhante em direcção ao mundo. Fascinada, a Estrela cada vez mais iluminada, alia-se, enlaça-se, deixa-se absorver, expande-se em volta da criaturazinha Brilhante. Lá fora o mundo gira, em torno da torre espelhada, que permanece quieta e enamorada, sem pensar. Da torre mil raios espalham luz pelo planeta, como um enorme farol. A criatura Brilhante e a Estrela iluminada, juntas explodem em luz.

E se por vezes duas criaturas se separam, o mundo pára para receber um pouco de luz, as torres giram, os reflexos multiplicam-se e alguém se deixa iluminar. Mas nunca uma criaturazinha Brilhante deixa de ser Estrela, nem uma Estrela deixa de ser Brilhante!

Marta Lima
Porto, 7 de Setembro de 2007