Era uma vez uma Jovem Pestana, que morava num olho-verde,lindo!
Sempre que o olho pestanejava a jovem pestana suspirava encantada, por esvoaçar ao vento.
Quanto mais o olho se admirava, mais alto ela subia, quanto mais o olho adormecia, mais tonta ela ficava, de pernas para o ar.
Até que num belo dia, o olho abriu mais e mais e mais ainda. Mas não parecia admirado, nem assustado, nem mesmo aterrorizado... Estranho... Hmmm... De súbito começou a pestanejar desenfreadamente... ó, mas que tonteira!Com tanto vai-e-vem ela nem via bem.
Será que? Sim, Sim! Ele estava apaixonado e era o seu primeiro dia, de paixão.
Blink, blink, blink a um ritmo que amainava quanto mais passava o tempo.
Blink, blink, que lindo!
Blink, já pestanejava lentamente, para manter o olho aberto quanto mais tempo pudesse, a olhar a sua amada.
A jovem pestana acalmava e aproveitava os longos momentos lá no alto, para apreciar o mundo e o Amor.
Mas eis senão quando, como que por magia, não sabia ela se boa ou má, se despega do olho e salta em queda livre para a ponta do nariz do amor.
O olho, que a vê cair, estica rapidamente o braço e pega-a entre os dedos da sua mão.
Ele disse:
-Pede um desejo!
E ela pensou
“Quero que tu sejas sempre o meu amor.”
Ele abriu os dedos e colocou a sua jovem pestana junto do coração da sua amada.
Tanta pestana que o amor nunca se engana!
Porto, Maio de 2007
Marta Lima