sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Maniquinha

Era uma vez uma máquina, uma maniquínha que abria e fechava, que ia mais longe ou mais perto, que apanhava todos ou só um. Era uma vez uma maniquínha que trabalhava devagar enquanto os outros deixavam o seu rasto, que trabalhava tão depressa que toda a gente virava fantasma.
Na sua longa vida assistira aos momentos mais belos e aos momentos mais tristes, tinha sido agarrada pelas mãos mais doces e pelas mais ásperas. Já sofrera várias cirurgias e sempre que ia a banhos ficava sem ver nada mais de um mês! Era uma maniquínha que embaciava com o calor da multidão, que tinha medo do pó e da água, que tinha medo de cair e ficar cega para todo sempre.
Esta maniquínha passou de mão em mão mais do que uma geração.
Poderia ser uma máquina normal, mas não, era mesmo especial. Era pesada e complexa, mais resistente e precisa do que aquilo que imaginava, uma máquina apaixonada mais que todas, pela luz.
E sempre que a noite caía e o tudo se transformava em nada, ela abria os olhos mais ainda, para deixar entrar a luz, nem que um pouquinho e poder sonhar.
Frente a frente, a maniquínha ainda dormente abre os olhos todos, de repente! O que faria outra maquina, tão nova, tão simples, tão leve, ali mesmo ao lado? Ah claro! Era o seu namorado! Juntos partiriam ao pescoço de uma geração, rápida e sagaz que através dos dois olharia o mundo e levá-lo-ia consigo para o futuro.
A maniquínha no meu coração, fotografa com emoção!

Porto, Maio de 2007

Marta Lima